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| 15/Julho 2003 |
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A Era GPW
Segunda leva de mini-resenhas para filmes vistos nesse meu primeiro mês de trabalho na locadora GPW. Para ler a primeira leva, clique aqui.
AS NOVAS ROUPAS DO IMPERADOR
The Emperor´s New Clothes (INGL/2001)
  
Ian Holm interpreta o imperaodr francês Napoleão nessa comédia que elabora uma suposição inusitada. E se Napoleão não tivesse morrido e estivesse em Paris quando sua morte foi divulgada? Pois bem, apesar de não muito bem explorada, o bom humor da história, as boas atuações e a piada trágica no final com os vários napoleões valem o filme.
CONTE COMIGO
You Can Count With Me (EUA/2000)
   
Drama dirigido por Kenneth Lonergan com Laura Linney e Mark Ruffalo no elenco expõe a relação de dois irmãos que perderam os pais na infância e tiveram vidas completamente diferenças. A personagem de Linney é a que mais sofre transformações no roteiro também de Lonergan, que não fosse o toque sutil na história e a sapiência de não estender as cenas, transformaria o filme numa esquecível sessão de Supercine. Emocionante e funcional sem apelações. Participação notável de Mathew Broderick.
NATUREZA QUASE HUMANA
Human Nature (EUA/2001)
   
Segundo roteiro de Charlie Kauffman ("Quero ser John Malkovich") levado aos cinemas. Apesar de ser lembrado como uma de sua sobras menos inspiradas, me leva a crer que esse deva ser um projeto de fundo de gaveta desesperado para ser libertado. Longe do genial mas lançando mão de uma história muito curiosa, Kauffman e o diretor Michel Gondry brincam - textual e visualmente - com a psicologia, o instinto e sobrevivência humanos. Ah, a história?! Garota com pelos e homem das selvas são inseridos na sociedade por um excêntrico cientista interpretado por Tim Robbins. Estar acompanhando do início a carreira de Kauffman é uma grande oportunidade.
TIGERLAND - A CAMINHO DA GUERRA
Tigerland (EUA/2000)
   
Primeiro filme da leva "alternativa" do diretor Joel Schumacher (pós-fracasso-de-Batman-e-Robin) e longa responsável por alavancar a carreira do hoje astro Colin Farrel, esse discreto filme de guerra não tem maiores pretensões se não inserir no contexto histórico do conflito com o Vietnam um personagem ímpar, no caso o Roland Bozz de Farrel, em excelente atuação. Um sujeito antagônico, pois á anti-belicista mas tem um incrível poder de liderança. Consegue mandar colegas de volta pra casa, enfrentar altos escalões, nunca perdendo o bom humor. Sem falhas aparentes, se tornou um dos bons filmes sobre treinamento de guerra dos últimos anos.
SUBMERSOS
Below (EUA/2002)
   
Dos poucos filmes que vi nessa leva sem ter idéia do que se tratava. Pelo nome achava que era um suspense adolescente sobre mergulhadores (que na verdade se chama "Fixação", se não me engano). Por isso o quesito espectativa-resultado foi tão disparate. O filme se passa num submarino americano em plena guerra, quando refugiados ingleses entram a bordo e fatos estranhos começam a acontecer. Submarinos são sempre bem vindos para criar tensão, pela situação da tripulação, pelos sons que emite, pela claustrofobia. Mas longe de criar um suspense baseado em conflitos bélicos, o mote aqui é o sobrenatural, com um resultado satisfatório. A história é um pouco complicada e confesso que assistiria mais uma vez pra sacar melhor. Mas no fim das contas foi uma boa surpresa, principalmente ao descobrir que Darren Aronofsky, diretor de "Pi" e "Requiem para um Sonho" foi um dos roteiristas e produtores. Boa produção, atuações, excelente montagem e direção de cena.
MISSÃO PERIGOSA
Avenging Angelo (EUA/2002)
 
Bem. Comédia com Stallone. Só muito amante do trash pode se satisfazer com tal combinação. O problema é que é ainda mais difícil encarar um romance e um paupérrimo subplot envolvendo grupos de mafiosos numa comédia com Stallone. Não tem como ser levado a sério. O diretor, o sr. Martyn Burke, devia ter vergonha. É dele o roteiro do estupendo "Top Secret". Ou faltou drogas ou sobrou cara-de-pau pra fazer um filme fraco como "Missão Perigosa", que ainda conta com uma histérica e perdida Madeleine Stowe - ah, velhos tempos de "12 Macacos".
ESCRITO NAS ESTRELAS
Serendipity (EUA/2002)
   
Romance água com açucar. Talvez estivesse com a pressão alta demais e estivesse precisando de uma dose disso. Ok, temos John Cusack, um dos meus preferidos, e a linda Kate Beckinsale. O diretor, Peter Chelsom, do sensível "Sempre Amigos" e da futura refilmagem do chinês "Shall We Dance?", tem uma mão firme, não exagera, não deixa sobrar. A forçação de barra para que tudo dê certo fez sentido pelo roteiro tratar casualidades como acontecimentos de significado até certo ponto inexplicável. Talvez por eu levar minha vida acreditando em sinais - mas não acreditando em Deus ou destino - esse romance tenha recxebido meu aval. E olha que geralmente sou um porre com o gênero.
RECÉM-CASADOS
Just Married (EUA/2002)
 
Engraçadinho mas ordinário. Roteiro inexiste, completa desculpa para piadas ora grosseiras ora até risíveis. Na verdade já foi apagado da memória desse que escreve. Danem-se.
ALIEN - O 8º PASSAGEIRO
Alien (EUA/1979)
    
Finalmente tive a oportunidade de conferir esse clássico da ficção-científica em união com o horror. Sensacional. Timing, elenco, fotografia, clima, roteiro. Quando um clássico surpreende é porque merece o status. Em outra ocasião escreverei mais sobre.
NOVE RAINHAS
Nueve Reinas (ARG/2000)
   
Thriller urbano de excelente criatividade narrativa e esclarecedor sobre o que é a moderna Buenos Aires. A história do interminável embate entre dois ladrões que se unem num dia de pequenos e grandes roubos pela cidade é de fácil empatia guarda muitas surpresas - principalmente o final. Engenhoso, verossímil, sensacional. Mas pra variar, Hollywood fará mais uma xerox colorida de um sucesso latino. A versão ianque será dirigida por Steven Soderberh e provavelmente terá George Clooney e Brad Pitt no elenco. Ele só faz isso mesmo, recentemente.
ALIENS, O RESGATE
Aliens (EUA/1985)
    
Não é à tôa que é considerada uma das melhores sequências do cinema americano. James Cameron, ainda em carreira ascendente, transformou um horror de ficção científica num estupendo filme de guerrilha, impondo novos conceitos na história da relação da Tenente Ripley com os aliens - existe toda uma correlação materna entre ela e a garotinha e os bichos gosmentos. Conseguiu construir personagens simpáticos, e com no primeiro filme é doloroso perder cada um deles da história. Perfeito. Trilha, efeitos, elenco, tudo.
UM AMOR PARA RECORDAR
A Walk to Remember (EUA/2002)

Landon é um dos caras cools do colégio, faz besteira e tem que começar a participar de atividades escolares duvidosas, como ensinar garotos com dificuldade de aprendizado e ser ator numa peça escolar. Nessa aventura ele se aproxima da garota que se veste mal e é tida como uma babaquinha, filha de padre que não vive a vida. Assim, ele aprende que nem tudo é esculhambação e se apaixona por ela. Previsível até a alma e incômodo ao extremo pra quem tem aversão a musiquinhas pop descartáveis, esse novo filme do diretor do tambem insosso "Casamento dos Meus Sonhos" só faz repetir fórmulas e ser um mais do mesmo execrável. E estejam de controle remoto nas mãos para a óbvia cena de cantoria com a estrela do pop - pelo menos pra quem é adolescente imagino, porque não fazia idéia - Mandy Moore, atriz principal do filme. O FF será bem vindo.
PANTALEÃO E AS VISITADORAS
Pantaleón y las visitadoras (PER/1999)
   
O principal ponto negativo de assistir produções não hollywoodianas com frequência é perceber o quão mais variado, mas sincero e mais bacana são esses filmes. Digo negativo porque parece que é tiração de onda ou uma simples atitude anti norte-americana, mas é clara e nítida a superioridade de um filme de baixo orçamento como esse a 80% das comédias feitas nos EUA. A história de um capitão do exército que vai para o rio Amazonas coordenar um serviço de prostitutas (as visitadoras do título) é simplesmente genial. Tão convincente, bem humorada e cheia de espírito que a má fotografia e até algumas atuações fracas não fazem esse longa perder seu charme. Detalhe para a estonteante Angie Cepeda, que faz a "Colombiana".
O CUBO
Cube (CAN/1997)
   
Grupo de pessoas jogadas dentro de um imenso e angustiante labirinto onde correm risco de vida e as palavras de ordem são matemática e raciocínio. Esse é o mote dessa celebrada ficção científica canadense, que apesar das atuações beirando o teatral, mantém um clima instigante do começo ao fim sendo um "puro entretenimento" cabeça.
ALI G
Ali G Indahouse (INGL/2002)
  
Expectativa é uma coisa engraçada. Esse filme, totalmente desconhecido por mim quando chegou às plateleiras da locadora onde trabalho, me soava como mais uma daquelas comédias repetitivas passadas num subúrbio qualquer norte-americano. Sò de olhar a capa me rejeitava a sequer cogitar assistí-lo. Mas são os ossos do ofício. Peguei o suposto lixão e me deparei com uma surpreendente comédia de baixo escalão que não só consegue fazer tiradas hilárias como me apresentou a um - pelo menos em primeira impressão - ótimo comediante. Convincente no papel de um boa vida sonhador e gozador que chega ao parlamento inglês e revira o país a seu favor, Sacha Baron Cohen é um dos principais motivos pra o filme dar certo. A história é pífia aqui e algumas piadas são pura forçação de barra o que denegriu um pouco o resultado final. Mas acabei descobrindo depois que essa comédia foi a décima maior bilheteria da inglaterra em 2002 e foi bem recebida pela crítica. Mesmo com sexo e maconha explícitamente escrachados na telona. Mas "Ali G" é restritamente recomendado para quem curte esse tipo de comédia e não tem pudores. "Respect!!!"
O AMOR E A FURIA
Once Were Warriors (NZEL/1994)
   
Drama familiar neozolandês que trata da resistência de um casamento e de uma mulher a uma vida dura com o marido beberrão e filho da puta. Beth Heke é uma personagem que evoca um pouco de força a cada momento duro que sofre e fica claro que um dia aquilo explodirá. Trata-se de uma sequência trágica e melodramática de eventos que se não fossem tão brutais e mostradas com tanta facilidade cairia no óbvio. Mas conhecer a cultura de um lugar tão distante e ver os personagens descobrindo fantasmas ancestrais e se fortalecendo com eles, reconhecer que os guerreiros de outrora agora permanecem dentro de cada um - seja na volencia gratuita do homem ou na resistencia da mulher -; tudo isso faz de "O Amor e a Fúria" um dos filmes emblema do cinema alternativo dos anos 90. Atenção à gostosa trilha sonora cantada com o estranho gostoso sotaque, que juntos fazem parecer que todas as músicas são grandes sucessos locais… o que provavelmente pode ser verdade.
UNDERGROUND
Idem (FRA/IUG/ALE/HUN/1995)
    
De tão cheio de vida, de cinema, de música e poderosamente indescritível, me reduzirei a poucas palavras no momento. Mesmo só tendo assistido uma vez, estou convencido de que foi um dos filmes mais completos que já tive a chance de assistir.
AS TRÊS MARIAS
idem (BRA/2002)
 
Tem 15 dias que vi o filme. Sem muito o que dizer. Muita intenção estilística, pouca preocupação com uma verossimilhança na história das três filhas de uma mãe atrás de vingança. Descartável. E desculpem pelo descaso, que provavelmente não será desfeito. Assistir o filme de novo não está no meu cronograma.
O CAÇADOR DE CROCODILOS
Crocodille Hunter (EUA/2002)
 
Taí um filme… se bem que nem é um filme. Ampliado de um programa de TV com um babacão loiro que adora se enroscar com animais, essa modesta produção paritu pro absurdo com um plot envolvendo projetos secretos do governo para que houvesse alguma ação no longa. Tipo, não funcionou pra mim, mas dá a sensação de ser divertido para as crianças. No final das contas… ficou a irritação com a forçada caracterização e interpretação da fazendeira durona lá. E não vou mentir que vi isso com o maior dos descasos.
VIOLÊNCIA GRATUITA
Funny Games (AUS/1997)
   
Filhote angustiante de "Cabo do Medo", explora os limites da aceitação e exploração da violência. A simples sinopse, de dois jovens que invadem a casa de uma família, dá vazão a um excelente exercício de incômodo psicológico, com uma violência branda graficamente mas de enorme potência ao trabalhar com a imaginação. Longos silêncios, longas esperas, longas agonias. E nada de final feliz.
PI
idem (CAN/1998)
   
Filme ultra independente, das primeiras experiências do hoje celebrado Darren Aronofsky (de "Requiem para um Sonho"), explora o desespero de um gênio matemático na busca incessante por uma explicação lógica dos números da bolsa econômica mundial. Na jornada, muitos números, PI, xadrez, religião, Deus e a matemática, representação sonora inigualável para uma dor de cabeça… experimentalismos que juntos formaram uma obra original e interessante.
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